quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Sonhodelos

Quando criança, como qualquer pivete, eu tinha meus sonho. Eram diferentes, malucos e insanos, mas ainda assim eram sonhos.






Eu comecei cedo a ajudar minha mãe com a casa e adorava lavar a louça. Uma vez criei um elo tão forte com a pia lá de casa que disse, determinada, para minha mãe: "Quando eu crescer eu quero ser empregada doméstica!" E minha mãe olhou bem para a minha cara: "Por quê?" "Porque eu quero lavar louça para as pessoas".


Os anos foram se passando e numa fase da minha vida, meu sonho era usar gesso, andar de muletas, andar de cadeira de rodas, usar óculos, tomar soro e botar aparelho nos dentes. Só não realizei o de botar aparelho... E embora eu tenha entrado em êxtase por andar de cadeiras de rodas, eu considero um sonho realizado, mesmo que tenha sido por míseros trinta minutos.(espero não precisar eternamente)




No Ensino Fundamental, em minha primeira aula de ciências da 5ª série, estudei sobre os nove planetas, na época em que o Plutão ainda era considerado um planeta, (mal sabia ele que seria excluído pelo seu tamanho, coitado!) e de tanto fascínio meu sonho era ser professora de Ciências. Dois anos depois a mesma professora que me abriu portas para meu MAIOR SONHO, as fechou quando se revelou carrasca com Matemática. Tudo bem, esses dias eu encontrei com ela na cidade e ela demorou horas, mas me reconheceu e me chamou pelo nome. Diziam que ela era louca!






Outra coisa também que me veio à memória foi um projeto arquitetônico que tivemos de fazer para a escola. Primeiramente os professores nos pediram para fazer a planta da escola. Eles nos deram a planta pequena com as medidas e nos pediram para ampliá-la e fazer num imenso papel quadriculado. Fizemos. Na semana seguinte vieram com a BOMBA! "Agora desta planta vocês farão, em grupo, a maquete da escola". Para muitos a bomba era fazer a maquete, para mim a bomba foi a entonação da qual a professora havia dado no aposto "em grupo". Sim, quando pequena eu era muito egoísta e odiava trabalhos em grupo, pelo meu perfeccionismo eu sempre achava que as pessoas atrapalhavam minha concentração e meu trabalho jamais fluiría de maneira alguma. Mas voltando... Mudei meus planos e comecei a voltar meus olhos para Arquitetura. E além da planta de escola fiz plantas das minhas futuras casas. Ficavam boas.

Qualquer coisa que acontecia em minha vida e eu achava extraordinário eu me dedicava ao máximo para poder, um dia, obter lucros com tal coisa.




E para finalizar, não posso deixarde ressaltar sobre a empresa que eu minha irmã montamos quando eramos crianças, comércio de barquinhos de papel. Ficávamos todas as noites na frente de casa com um monte de barquinhos de papel em cima do muro para vender. Vendíamos todos por R$0,30. Uma vez uma mulher, que parecia já ter fumado todas, passou lá na frente, olhou para nossa cara e perguntou o que estávamos fazendo, dissemos que estávamos vendendo barquinhos de papel. E não é que a doida comprou? E ainda tínhamos que voltar R$0,20, porque ela tinha nos pagado com uma moeda de cinquenta centavos. A empresa durou uma semana, até que um dia nosso pai nos falou: "Por que vocês não fazem uma coisa? Vão vender seus barquinhos no sábado de manhã". E foi isso que fizemos, vendíamos barquinhos toda manhã aos sábados. O mais interessante é que conseguíamos vender todos, afinal de contas, passamos a VENDER barquinhos de papel GRÁTIS!

1ª Lei de Newton

"Valorizo meu casulo. Mas se um dia as células humanas forem resistentes a fome, a sede e a todo o luxo de acessórios ou qualquer tipo de segunda pele, poderia livremente viver na inércia, dentro de uma carapaça."

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Ô, Seu Túlio!

Há 2 anos, eu estava cursando meu último ano do Ensino Médio. Lembro que nesta época estávamos com um projeto bacana sobre os 60 anos da Segunda Guerra Mundial. A correria era boa, mesmo porque o assunto me interessava, a História num contexto geral me interessa. Fiquei incumbida de apresentar a maquete de Auschwitz e falar para a escola e visitantes sobre a mesma, tudo isso com o símbolo da Suástica no braço direito.

Na verdade, eu tenho que admitir que no decorrer do projeto eu passei a maior parte do tempo estudando sobre o assunto, consequentemente acabei não ajudando muito na parte visual. Para me redimir, resolvi dar algumas gotas do meu sangue. Queria inovar o projeto. Então pensei em levar até a escola alguém que já tivesse participado da tal Guerra, mas quem? Enfim uma luz se acendeu! Minha mãe em uma de suas conversas cotidianas recebeu a notícia de que havia um senhor que possuía um escritório próximo à minha casa. Ele havia participado da Segunda Guerra e poderia me ajudar.

Agendei um dia, um horário e fomos lá falar com aquele senhor. A recepcionista nos recebeu com um sorriso de orelha a orelha, talvez fosse algo falso, mesmo porque, onde ela sentava batia um sol do caramba! Mas isso não vem ao caso agora. O que importa é que aquela mulher sorridente - Magda o nome dela, lembrei - nos levou até o fundo do corredor onde se situava a sala de Túlio Carvalho Campello de Souza.

Atrás de uma mesa gigantesca cheia de papéis e documentos importantes, além de seu Túlio, havia uma estante enorme cheia de livros e alguns acessórios, como bibelôs, porta-retrato e diversos outros "porta-não-sei-o-quês". Um lugar um tanto aconchegante, iluminado. Vale lembrar que na parede também havia diversos quadros com fotos antigas, dele mesmo, a maioria antiga.

Eu comecei falando sobre nosso projeto, todo o contexto, o que já estava em andamento e o que ainda faltava. Ele me explicou em detalhes sua participação no Holocausto e eu fiquei perplexa. Afinal de contas, as 500 páginas de um livro de História são insuficientes quando o que se quer é detalhes.

Seu Túlio havia me dado uns documentos interessantes sobre aquela Guerra, coisas que ninguém tem interesse em saber como: os nomes dos aviões dos presidentes. Alguns dias depois, em nosso segundo encontro, minha mãe e eu levamos um presente a ele, eu tirei uma foto e o convidei para dar uma palestra lá na escola. Ele aceito.

A palestra foi um espetáculo, o agradeci, todos ficaram muito felizes, inclusive ele. Achei que aquilo era algo inovador e fiquei lisonjeada pelo sucesso.

O tempo se passou, e eu fiquei de dar a ele a foto da qual eu havia tirado. Desta maneira, hoje, eu fui visitá-lo em sua residência - óbvio, com a foto e uma pequena dedicatória no verso - e conversamos sobre o dia da palestra, sobre História, Geopolítica e ele me contou coisas engraçadas e um tanto tristes de sua participação naquele trágico massacre.

Descobri que o Google não é tão eficiente. Bem, foi um dia diferente, legal, divertido, uma excelente nostalgia.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

"Renan Collor Cardoso Calheiros"

Ontem, 12 de setembro, ocorreu a votação que decidira o futuro de Renan Calheiros. De acordo com o colunista do Bom Dia Brasil, Alexandre Garcia, se no plenário havia 81 senadores, a votação resultaria num "quase" empate, pois o voto decisivo seria do próprio Renan. Entretanto, o Sr. Calheiros foi absolvido por 40 x 35. Onde estavam os outros na hora H? Talvez estivessem em cima do muro, todavia poderiam fazer com que o mandato do Senador fosse caçado.

O Presidente do Senado saiu calado do plenário, não deu entrevista, porém balbuciou uma bela frase: "Vou para casa rezar". Isso me trouxe à memória a extrema devoção que Renan tem pelo Círio de Nazaré, podemos perceber uma imensa pureza deste pobre rapaz em seu ressalto: "O Círio apaga as diferenças, junta o rico e o pobre, o que tem instrução e o analfabeto, aproxima os desiguais e torna visível e palpável a comunidade que nos une a todos. O exemplo de fé ao mesmo tempo emociona e vivifica". Uma ironia, não acha?

Agora a pouco, estava eu vagando pela internet e, por curiosidade, entrei no site do Senado e encontrei assuntos interessantes sobre o absolvido. E um link lastimável foi evidenciado em meu humilde monitor e eu não puder deixar isso passar, CLARO! E dizia assim: Renan recebe mensagens de solidariedade. Tão lindo!

Dá-lhe Caetano quando diz que corrupção no Brasil é endêmica, e não é?

Só para finalizar...

Calheiros disse: "Que Nossa Senhora de Nazaré nos abençoe a todos."
E Jesus respondeu: "Ó, Pai! Perdoe-no, ele não sabe o que faz!"

AMÉM!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

BOMBA!

Olha só!

Há 6 anos, o orgulho dos EUA foi ferido pelo maior ataque terrorista. E ontem, 11 de setembro, milhares de pessoas foram aos vestígios do que um dia fora World Trade Center.

Perante projetos arquitetônicos, de um terreno morto, nascerão três arranha-céus entre 250 e 550 metros. Quem sabe torres gêmeas dão azar, né?!

Entretanto, visando este trágico momento, o titio bin Laben foi caridoso o bastante e fez uma oração em árabe em homenagem ao Walid al-Shehri, um dos terroristas que descobriu que a energia potencial elástica não atua quando um avião vai de encontro a um prédio. Talvez este fosse o intuito, entendam-no!

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

"O Brasil Acordou!"

Cá estou eu, trancafiada dentro de um quarto ouvindo Arnaldo Antunes, após ter ouvido um mesclado de Chico Buarque e Raul Seixas em uma fita cassete que achei lá no fundo de casa enquanto fuçava naquela bagunça. Queria eu ter nascido em 1956. Nasceria junto com as empresas automobilísticas no Brasil, teria minha infância junto com a construção de Brasília.

Nos meus momentos de tédio, eu ligaria aquela minha TV preta e branca e, lá pelos meus 14 anos, eu estaria assistindo as coisas boas da Globo, pelo menos é isso que dizia seu slogan "O que é bom está na Globo". Também tricotaria com as amigas através da Baquelita, um telefone da época.

Claro que o lado negativo disso é o fato eu ter de conviver com a ditadura durante toda a minha adolescência e uma parte da minha vida adulta. Mas se eu não tivesse nascido nos anos dourados, não teria adquirido um certo grau cultural um tanto elevado. Independente de ditadura ou não, em 1979 eu me formaria em arquitetura pela faculdade de Belas Artes em São Paulo, a mesma de Oscar Niemeyer.

Bem, durante a faculdade eu encontraria algumas paixões, mas seriam relacionamentos passageiros, nada tão sério, mesmo porque, na época eu não teria maturidade o bastante para constituir uma família. Imagina! Mas quem sabe eu não resistisse a alguém...

Se eu não resistisse a alguém, com 24 anos eu me casaria e teria uma filha, Melissa. Talvez esse fosse o pedido do meu, então, marido. Ensinariamos a ela as coisas boas, falaríamos sobre tabus, mesmo porque, eu e meu marido não teríamos tanto pudor, visando o bom sentido, ÓBVIO!

Nos anos 90 iria para a Itália fazer meu curso de Design de Produto. Abriria minha própria loja de móveis e seria bem-sucedida. Espero eu.

Enfim, hoje em dia estaria dando aulas de História em qualquer faculdade. Apesar de tantos acontecimentos catastróficos e interessantes, nascer nos anos dourados não seria tão ruim. Certamente viveria a verdadeira cultura, a verdadeira essência do Brasil, uma época em que caras-pintadas eram motivos de Impeachment.

Juscelino Kubitschek que me perdoe, mas nos dias de hoje eu digo: "O Brasil voltou a dormir!"

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Ter ou Não Ter Namorado, Eis a Questão!

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.

Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.

Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.

Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.


Arthur de Távola, atribuído a Carlos Drummond de Andrade