segunda-feira, 9 de abril de 2012

Acionando a descarga

Ela vem e parece que nunca foi. Ela vai e parece não voltar mais. Ela volta e eu a quero o tempo todo aqui. Não, não comigo. Mas a uma distância da qual eu possa enxergar e sentir o cheiro que fica no ar quando passa.

Só quero isso.
Todos os meses eu só quero um braço de quatrocentos quilômetros de comprimento para abraçar e acalentar aquela garotinha quando ela me manda mensagem no meio da madrugada alegando uma dor, uma tristeza ou uma paixão e outras alegrias. Sou a mãe orgulhosa, a tia perversa, a amiga confidente, a vó que faz bolo.

Sou a irmã que acionou a descarga hoje cedo enquanto trabalhava.

sábado, 24 de março de 2012

Vou estar te estuprando, senhora!

Era quatro horas da tarde em um sábado pouco comum. Acordei às cinco para ir ao trabalho (há muito tempo não trabalho aos sábados), conversei com meu namorado, voltei para casa, tomei chuva por estar sem chave, o cachorro da vizinha quase avançou em mim e quando consegui entrar em casa feliz e contente... O telefone toca.

Eu com meu prato de comida na mão amaldiçoando o mundo todo por isso, lá fui eu atender. Ah! E chegou para mim hoje, ou seja, estou um pouco sem paciência. Voltando... Lá fui eu atender um telefone desconhecido de DDD 31. E o diálogo seguiu assim:

- Boa tarde, gostaria de falar com a senhora Ana Carolina?
- É ela mesmo, quem gostaria?
- É a "Fulana" da Caixa Econômica. Eu gostaria de fala para você sobre as vantagens de se possuir o cartão de crédito da Caixa Econômica, que chegará em sua casa em até quinze dias a partir da data de hoje.
- Ah, que beleza! Mas a minha conta é salário, ou seja, não tenho créditos.
- Então, porque é o seguinte, disponibilizamos para você a função créditos para você ficar tranquila na hora de comprar, para evitar constrangimentos na hora de pagar a conta e o cartão não passar.
- Mas meu cartão sempre passou. Eu sempre tenho dinheiros!
- Sim, mas é que tendo créditos você fica mais segura. Você é casada?
- Não, sou solteira.
- Ah sim, mora com seus pais. Então se um dia, por ventura, sua mãe se adoentar e você não estiver com dinheiro no momento, você pode ajudar também, né.
- Não posso, não moro com minha mãe e não tenho contato com ela.
- Ah, mas você um dia vai presentear seu pai e pode fazer isso com mais dinheiro.
- Ele não merece meus presentes, não falo direito com ele.
- Ah... Então... Vou fazer o seguinte, vou transferir você para o outro atendimento para fazermos o cadastro.
- Quê? Mas eu vou receber o cartão de crédito?
- Sim.
- Mas eu não disse que eu não quero?
- Tudo bem, disponibilizaremos o cartão de créditos para você e caso não queira, entre em contato com o seu gerente. Caixa agradece.

E o telefone diz: "tu tu tu tu tu tu tu tu tu..."

Diz pra mim se isso não é um estupro?

Óbvio! No momento seguinte prestei minhas sinceras reclamações a respectiva opção número quatro do zero oitocentos da Caixa Econômica, perguntando se é norma da empresa enfiar um cartão na sua caixinhas de correspondência sem seu consentimento ou se quando a gente diz não eu posso ficar despreocupada? Eles confirmaram o segundo item. Minha reclamação foi registrada no minuto seguinte pela gentil Meline (foi isso o que eu entendi) que me atendeu muito bem.

Enfim, em até cinco dias receberei uma ligação do tal DDD 31 para mais esclarecimentos. Isto é, em até cinco dias depositarei outro post bancário aqui no Lisergia Verbal. That's great!

P.S.: Só pra constar, moro com meus pais e os amo muito. Beijo pai! Beijo mãe!

domingo, 11 de março de 2012

O lado B

O lado B das coisas é sempre menos abordado, porém é a melhor descoberta que alguém pode fazer.

O lado B das bandas é sempre mais interessante e harmônico.
O lado B do cinema é mais realista e poético.
O lado B dos grandes literários é mais intenso e gostoso de ler.

Descobri o lado B das coisas a partir do momento que decidi abrir minha mente.
Descobri o meu lado B a partir do momento que decidi abrir meu coração.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Aquela música

Oi!
Oi!
Vem cá, ouve e vê se você gosta.
...
...
Você quem criou?
Foi! O que achou?
Eu adorei! É perfeito.
É pra você.


Sabe aquela história de deixar se levar e ver do que dá? Então...

Levo comigo uma teoria que todos os dias eu durmo apaixonada por algo ou alguém. Seja meu ideal de estereótipo perfeito, seja uma criança adorável, seja uma casa, seja uma caneca, seja um poema, seja uma frase, seja uma memória que apareceu de repente. A paixão é assim, ela vem e passa.

Mas no último mês a última imagem que toma minha consciência antes de dormir é a paixão que criei por um olhar, um beijo, um toque, uma palavra, uma forma de abraçar, uma dança, um sorriso, uma gargalhada gostosa, aquele chegar junto devagarzinho, aquele comentário, aquela percepção. E se a paixão vai e passa, por que ela ainda não passou? Realmente existe algo entre a paixão e o amor que é inexplicável podendo apenas ser sentido. Eu estou assim. Sentindo.

Ontem eu dormi apaixonada por aquela música.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A Aurora e o Azul

Embora o céu seja azul, às vezes eu o enxergo verde. Eu gosto daquele verde sem muitas variações nos tons, aquele verde apagado que ninguém conhece e apenas eu enxergo. Para falar bem a verdade, meu céu já teve diversas cores. Um caleidoscópio colorido, talvez.

Cada cor tem me trazido um sentimento diferente, uma energia diferente, uma sensação diferente. Este novo céu verde me traz uma alegriazinha gostosa e batimentos cardíacos mais frenéticos. Mas não adianta. O que realmente me tranquiliza e me faz sorrir com a alma é aquele céu onisciente. Não me importo que ele esteja nublado, estrelado, claro, limpo ou até mesmo cinza. O meu céu sempre será azul, embora eu o veja na cor verde.

Neste feriado descansei, deitei na grama verde e olhei para o céu que, por sinal, estava num azul marinho lindo. As nuvens tapavam um pouco sua real essência, mas ainda pude descobrir um pouquinho de sua exosfera misteriosa e pensar que não quero ser a Aurora de Bóreas. Quero ter a licença poética de ser a redundante Aurora do Amanhecer azul.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Eu chorei

Hoje amanheci conversando com um cara que nunca vi na vida, que me perguntou coisas que ninguém ainda havia perguntado. Uma delas foi: "O que realmente está acontecendo?"

Antes de responder a esta pergunta, por um segundo eu chorei, o abracei, chorei mais um pouco, o abracei novamente, ele acariciou minha cabeça, eu voltei a chorar e aos prantos contei a ele tudo que estava se passando. Não contei da dor física, mas da dor emocional que abriu aquele buraco no coração. Aquela dor que o Floriny não acalmaria.

Ao passar deste segundo, eu realmente abri meus lábios e aleguei dor no peito, no braço esquerdo e fiz um breve comentário sobre minha vida atual.

E sem derramar uma gota de lágrima, eu chorei.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Pais separados

Tenha apreço por famílias estruturadas, amo aqueles pais que fofos que dormem juntos até a velhice, onde às vezes o pai cede, às vezes a mãe cede. Quando discutem são por coisas bobas e três vezes por semana sem uma frequência lógica. Aquele tipo de pai e mãe que se chama pelo nome ou criam apelidinhos fofos que os filhos riem, mas que na verdade tem uma drástica besteira por trás de tudo aquilo que só cabe aos dois saberem... Uma brincadeira de adolescente que ficou para a vida toda.

Muitas vezes a filha puxa à mãe e o filho puxa ao pai. Às vezes eu que puxei mais ao meu pai, horas acho que puxei mais à minha mãe. Mas tem horas que eu me sinto Carolina Cruz, aquela que captou pequenas características de todas as pessoas que a rodeia ou que observa na TV, na internet, nas ruas ou aquele cara que sentou ao seu lado naquele ônibus turbulento às sete horas da manhã do meio de uma semana.

Hoje em dia eu tenho tido muito contato com pessoas com seus pais separados. Tem gente que não gosta da madrasta, tem gente que não gosta do padrasto, tem gente que não está nem aí e tem gente que adora a situação atual. Eu adoro a situação atual, mesmo não sabendo que pé está. Sinceramente... Eu me desliguei. Eu quero muito namorar meu futuro marido e me casar com meu antigo namorado.

Eu quero ter aquela vida estruturada com aquelas discussões bobas que terminam quando o lado errado nos vem com uma bebidinha que a gente gosta como um pedido de desculpa singelo. Eu quero aquela vida estruturada onde cada um cede aleatoriamente para que conflitos sejam abafados, sem nenhum jogar nada cara do outro o que foi deixado para trás. Sempre haverá outras oportunidades e se não houver, curta o que tem para hoje, saiba que ninguém está em uma situação por acaso. Eu quero aquela vida estruturada de deitar bonitinha junto com aquela pessoa que lhe disse sim e assistir a um longo filme e quando dormir ele apagar a luz e dormir do seu lado. Eu quero aquela vidinha estruturada onde os olhares são decifráveis e o diálogo flui num profundo silêncio. Eu quero isso.