quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Sete Minutos

Hoje à tarde estava me lembrando da minha época de cursinho, quando eu sempre voltava de bicicleta com um grande amigo meu, o Neto. Voltávamos comentando sobre algumas manias bizarras de alguns professores, ou sobre aquela reportagem bem bacana da revista Superinteressante da qual contava como seriam as casas do futuro. Uma vez ele voltou contando sobre as suas aulas de teatro que ele fazia na escola. (droga! Maldita hora que eu fui escolher vídeo...) O Neto, entrou num assunto que nos instigou de tal maneira que ficamos alí na frente de casa conversando durante horas.

Então ele largou a bicicleta e a mochila na calçada, e sentamos debaixo da árvore e começamos a discutir sobre uma das peças escritas por Antonio Fagundes: Sete Segundos. Sim, essa peça é bem antiga, porém ainda remete aos dias de hoje, mesmo porque, quem aguenta ficar mais de sete minutos concentrado em um só programa? Por isso a TV nos empanturra de propagandas.



Na peça, Antonio Fagundes (ator/autor) protestou contra a mudança radical que o teatro obteve ao longo dos anos, o que o deixou atomizado. Vejamos, um bloco da sua imperdóvel novela dura em média sete minutos, um bloco do telejornal dura em média sete minutos. A platéia começa a ter comichões depois dos primeiros sete minutos de um filme no cinema, um teatro ou até mesmo um DVD. Parece até que eles anseiam pelos "reclames do plim! plim!" quando os sintomas da impaciência aguda começam a aparecer, e são eles:

- Tosses incontroláveis;
- Bocejos contínuos;
- Batuques com as pontas dos dedos do braço da poltrona;
- Pernas que balançam involuntariamente;
- Cochichos fora de hora;
- Sem contar nos vagalumes tecnológicos. (relógios, celulares, bips, palm-tops e blá blá blá...)


Não, não podemos ter fazer uma conclusão precipitada de que TODAS as pessoas são mal-educadas por essas atitudes (em partes sim). Visando os dias atuais, uma pessoa normal pode se considerar muito bem informada depois de passar os olhos por uma notícia. A tecnologia faz com que todas as coisas girem numa velocidade absurdamente alta, desta maneira, por que razão pararíamos um instante para pensar?

Bem, a conversa nos deixou tão entretidos durou mais de sete minutos. Claro, com algumas dormências musculares, mas nada que nos interrompesse. Ah! Saudade dos tempos de cursinho...

Um comentário:

velho rabugento disse...

oi... que bom que o destino te pregou uma peça e fez com que voce encontra-se o blog do velho enquanto procurava o 1984 para download! infelizmente o 4shared deletou o arquivo e num postei ele depois, mas posso colocar ele para voce lá. assim voce pode baixa-lo, voce que?? ou então melhor, posso te enviar por e-mail... se desejar assim manda uma mensagem para meu e-mail: velhorabugento@gmail.com.

é isso, já me alonguei demais por aqui... parabens pelo seu blog, espero que um dia o velho chegue a este nivel, e um abraço!