domingo, 29 de junho de 2008

Desde 1988

No alto dos meus súbitos 20 anos observei esses dias os amigos da minha irmã.

As menininhas não paravam de falar sobre aquele carinha novo que entrou na escola e está na sala daquela "biscatinha" do 3º ano. O mais engraçado é que o nome da dita cuja elas sabiam, mas é sempre mais gostoso jorrar aquelazinhas de apelidos desbocados. É a idade, melhor dizendo, pouca idade.

E aqueles garotos que babavam enquanto comentavam sobre os peitões daquela modelo gostosa que apareceu em tal programa. "Como é mesmo o nome dela?" Esta frase é clássica quando o assunto é mulher gostosa. Vai ver seja por isso que esses garotos têm o nome das namoradas na ponta da língua, vai saber!

Esses dias estava andando pelas ruas de minha humilde cidadezinha e vi três garotas de 16 anos cantando o hit do momento (NX Zero). Elas cantavam tão alto que quando virei a esquina, ainda ouvia o eco desafinado daquelas alegres vozes. O interessante é que ninguém mais vê esta estridente maneira de se expressar estranha, todo mundo parece ignorar. Entretanto ainda tenha outros que fazem questão gritar "Vai um microfone aí?!" e outras obscenidades. Me explica: por quê? Elas mal sabiam o que aquilo significava!

Um dia, indo à faculdade, estava ouvindo Supertramp em minha vitrola portátil, vulgo diskman. De repente dei de cara com dois garotos, garotões mesmo, que esperavam o mesmo ônibus que eu também ía pegar. Os dois também estavam com fones de ouvido e mantinham uma conversa bem descontraída e ao mesmo tempo imponente, uma mistura interessante! Não me contive e tirei um dos fones do ouvido para descobrir o que havia atrás de toda aquela excitação. Bem, aquela "mistura interessante" não passou de "Pô, SOAD é foda, meu! Cara, você precisava ver o que o Sir. Malakian fez no último show antes da banda dar uma parada". "Porra, eu vi! SOAD é do caralho. O Shavo é o baixista mais louco que eu já vi, meu!"... E daí por diante. Sim! Ao tirar aquele maldito fone do ouvido a máscara de homens maduros se desfez, dando lugar a dois garotões que não passavam de 17 anos e ainda lecionavam o Ensino Médio.

O mais esquisito é que durante todos estes meus 20 anos, muitas vezes eu já fui possuída pelos mesmos pensamentos fúteis destes garotos.

Afinal de contas, qual garota nunca escreveu cartas para aquele garoto na última página do caderno a fim de que ele nunca leia?! O mais intrigante é que sempre deixamos aquelas benditas folhas amostra.

Não vou negar que ainda tenha certas atitudes deste tipo com algumas de minhas amigas. Crescemos juntas, então sempre tem um momento em nossos encontros que nostalgizamos nossas futilidade. Apesar de algumas já estarem casadas, outras com um filhinhos fofos ou umas apenas trocaram de namorado.

2 comentários:

Airton Krauniski disse...

Sonhar, fantasiar, especular...

Puxa, 20 anos...já faz tempo mas continuo a busca. O bacana é a fantasia. A realidade é braba demais pra a gente levar tão a sério, mesmo tendo que fazer, e se não for pelo memos para sonhar e rir das infinidades de boberinhas que recheam as horas de nossas vidas para que vale a vida?


Beijo...

Erika Flauzino disse...

Passando pelo meu esquecido blog, vi que em 9 de setembro de 2008 você postou um comentário! Obrigada! Vi seu blog, você escreve muito bem! É uma honra ver que pessoas inteligentes dão uma "olhadinha" no meu blog de vez em quando!
Quanto a seu post, como faz bem ser criança de vez em quando, não concorda?! As pessoas são tão estressadas atualmente porque fizeram suas crianças interiores adormecerem para sempre... Encontrar com antigos amigos e recordar boas lembranças faz muito bem, pra saúde do corpo, da mente e da alma!
Parabéns pelo blog!