quinta-feira, 24 de junho de 2010

Quando eu for mãe...

Quando eu for mãe irei amar meus filhos desde a gestação. Terei agonia em mexer no umbigo do bebê com medo de machucar. E saberei identificarei o motivo de cada choro de meus filhos: manha, cólica, enxaqueca, tristeza, dor ou medo de ficar no escuro sozinho. Quando eu for mãe me emocionarei com o balbuciar de "mã" da criança e ligarei para toda a família aos prantos para dizer que ele olhou para mim e me chamou de "mãe", mesmo sabendo que aos 4 meses aquele serzinho só enxergue vultos e nem saiba o significado da sílaba "mã". Quando eu for mãe não me importarei se meus filhos usassem a mão como um talher alternativo e a roupinha nova que ganhou da madrinha como guardanapo. Quando eu for mãe ensinarei meus filhos a pedirem por favor e dizerem obrigado. Não os quero me chamando de senhora. Os ensinarei que a melhor maneira de se conseguir tudo é com persistência e educação. Eles terão tudo. Eles serão persistentes e educados. Quando eu for mãe eu brincarei com meus filhos. Serei a mãe mais boba do mundo. Acharei magnífico quando eles me presentearem com um cinto feito de macarrão espaquete no dia das mães. Quando eu for mãe mostrarei aos meus filhos o lado bom de todas as coisas. O lado bom das pessoas, da família, dos inimigos, dos amigos, daquele cachorro que rosnou pra gente de manhã, daquela cidade poluída, daquele campo florido e o lado bom da nossa relação. Quando eu for mãe, terei um diálogo franco com eles. Falarei sobre drogas, sexo e violência. Não quero que eles tenham repulsa a falar comigo sobre tabús. Acharei interessante mostrar-lhes a realidade, sem que tenha de impedí-los de saber como funciona tais conceitos. Quando eu for mãe ficarei com o coração partido quando meu filho sair sozinho pela primeira vez. Quando eu for mãe presentearei meus filhos com brinquedos e livros. Muitos brinquedos. Muitos livros. Eles serão pessoas divertidas e inteligentes. Farei questão de investir naqueles pequenos. Aulas de ballet, natação, violão, bateria, violino, flauta, inglês, espanhol, viagem ao exterior. Eles terão um bom gosto musical e literário também. Quando eu for mãe, serei protetora. Darei bons conselhos a eles e confiarei na educação que dei ao longos de seus 18 anos em baixo das minhas asas. Ensinarei meus filhos a se defenderem dos colegas chatos e de pessoas desconhecidas, mas ficarei me corroendo por dentro se algo de ruim acontecer, mesmo sabendo que eles já têm idade para se cuidarem sozinhos. Quando eu for mãe, aprenderei a mentir. Farei suco de limão com couve e direi que está verde, porque os limões são verdes. Simples! Quando eu for mãe também serei professora de matemática, física, química, português, história, geografia, artes, filosofia. Apoiarei meus filhos nas escolhas de curso para faculdade, seja ela a tradicional Arquitetura ou a exótica Naturologia Aplicada. Sinceramente eu gostaria de criá-los apenas para mim, mas sei que não será assim. Enquanto isso, quando eu for mãe cantarei para os meus filhos dormirem, inventaremos histórias de madrugada até que eles peguem no sono, assistiremos filmes animados até tarde tomando calda de chocolate, os vestirei com pijamas cheirosos, farei leite quente e ficarei um tempo naquela caminha pequena numa posição desajeitada até que o monstro do armário saia para que meus filhos durmam tranquilos. Enfim, quando eu for mãe também levarei comigo outros títulos: a psicóloga, a pedagoga, a advogada, a engenheira, a publicitária, a estilista, a médica e a mãe.

3 comentários:

Natália disse...

Olá Carol fiquei muito contente com seu contato. *-* realmente seer mãe com 17 anos é sinônimo de amadurecimento, quero muito manter contato. beijos♥

vainard disse...

mto lindo seu post cal...
parabens...
vc conseguiu uma coisa rara sabia... me deixo sem palavras...
é...
mto lindo msm...
bjao

Sérgio disse...

Lindo. Retratou minha filha Cris com sua Juliana, de seis aninhos. Felizmente. Sério! Pergunte pra Luciana. Não poderia deixar de repercutir no meu jurássico bloguito.
Abração.
Parabéns.